Camila Moraes, Lead Designer @ Nubank
🎙️ PackLead, Ed. 35 @ 2026
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👉 Camila Moraes
Lead Designer, Nubank
Nesta edição da PackEntrevista, conversamos com Camila Moraes, Lead Product Designer. Formada em Design Gráfico, Camila, também conhecida como Mot, construiu uma trajetória que transita entre execução, liderança e decisões de carreira.
Antes do Nubank, ela liderou designers no QuintoAndar e também passou pela Samba Tech. Ao longo do caminho, alternou entre a carreira de contribuidora individual e gestão, quase sempre de forma inesperada, aprendendo na prática.
Hoje, no Nubank, Camila atua em desafios estratégicos de construção de visão de produto, definição de end-states e no exercício que ela claramente gosta: fatiar grandes ambições em MVPs pequenos, viáveis e valiosos.
🎙️ Como foi o processo de tomar a decisão entre ser um contribuidor individual ou buscar a carreira de gestão? O que você levou em consideração para tomar essa decisão?
Na verdade, ambos foram acidentais. Eu comecei como contribuidora individual e assim fiquei por quase 3 anos. Entrei em um projeto que começou a crescer bastante, e eu sempre tive “jeito” com pessoas. Talvez por ser mineira? Talvez! Mas na hora eu achava que isso era suficiente e quando me foi oferecido o desafio eu aceitei. Deu tudo errado, eu tive que aprender na marra como eram as partes burocráticas, começar fazer processo de hiring, estruturar feedback, plano de carreira e por ai vai.
A minha maior dificuldade, sempre foi dar feedbacks mais firmes, ainda mais para pessoas que eu me tornei amiga [e isso sempre foi muito fácil]. Um belo exemplo disso foi quando eu precisei dar uma devolutiva difícil e claramente fiquei ansiosa, mas neste momento o designer que eu liderava foi Luz. Ele me disse: "Mot, você não precisa mudar sua essência para dar um feedback difícil, pode fazer do seu jeito, eu estou entendendo". E isso tirou um grande peso das minhas costas. A situação melhorou depois disso?
Não, na verdade piorou, mas em certos momentos da minha carreira eu não conseguia ver uma maneira de crescer não sendo gestora. Isso só aconteceu anos depois em que surgiu uma oportunidade de virar IC e minha manager me ofereceu. Eu aceitei com um pedido: não quero ter que liderar ninguém. E assim novamente caí para o outro lado. Estava desatualizada do figma, completamente enferrujada e novamente comecei a aprender na marra o que eu não sabia. Uma coisa que notei é que nesse meio sempre tem muitas pessoas dispostas a ajudarem, e meus amigos foram nota mil em conseguir me resumir tudo que perdi nos últimos 3 anos.
E assim eu pinguei pro lado de cá e espero ficar até a próxima surpresa.
🎙️ Você tem uma ideia clara de qual é a distinção entre os níveis de sênior e lead? Como você endereçou essa diferença para tornar-se uma líder?
A diferença entre ser um Designer de Produto Sênior e ser um Lead Designer para mim, é uma mudança radical no meu foco de impacto e na definição de sucesso. Por exemplo, quando eu era Product Designer Sênior, o meu foco estava na profundidade técnica e na excelência da execução.
Agora, como Lead Product Designer, o meu trabalho mudou para mais próximo da estratégia: eu não foco em resolver mais apenas os problemas de uma feature; eu tento resolver os problemas de uma maneira mais abrangente, levando em conta outras áreas e com as métricas de sucesso mais claras.
Hoje em dia, posso dizer que dedico tempo para alinhar a visão de design com a estratégia de negócio, participando na definição dos “Porquês” antes de decidir o “O Quê”.
🎙️ Para os designers determinados a permanecer na carreira de contribuidores individuais, quais são as habilidades mais importantes que eles devem aprender além das habilidades técnicas?
Para mim, em qualquer carreira as soft skills são fundamentais. Ter bom relacionamento, saber transitar em cenários com pessoas mais complicadas, escutar, saber a hora de falar e se estruturar para passar a mensagem. Independente da carreira eu focaria em criar relacionamentos, que no futuro servem como pontes para projetos. Uma boa qualidade que também acredito que seja importante é a habilidade de resolver problemas de uma maneira prática.
Hoje em dia tá tudo tão corrido, ninguém tem mais tempo para nada. Quem resolve o problema de uma maneira esperta e rápida é um profissional que todo mundo gosta de trabalhar.
🎙️ E de que maneiras você pratica e aprimora suas habilidades técnicas à medida que avança? Quão importante é manter suas habilidades técnicas afiadas?
Para mim, o aprimoramento das minhas habilidades técnicas vai além do consumo passivo de conteúdo, como vídeos no YouTube ou no TikTok [apesar de ambos serem muito legais para aprender coisas].
Eu tento adotar uma abordagem mais intencional e prática. Por exemplo, gosto de dedicar tempo para prototipar fluxos que às vezes nem precisam de prototipação para explorar novas ferramentas. Gosto de explorar novidades também, ferramentas de design-to-code ou uma funcionalidade avançada no Figma (ou em qualquer outra ferramenta principal). O meu objetivo é transformar a novidade em domínio [ou pelo menos tentar].
Além disso, eu uso muito dos meus amigos de profissão, eles também conseguem trazer novidades e ensinar coisas. A gente tenta organizar sessões de critique onde testamos em um ambiente seguro apenas com designers, antes de levar pro time de produto.
🎙️ Como você equilibra a necessidade de inovação, a entrega de resultados tangíveis e a necessidade de criar e sustentar influência nos times no seu dia a dia?
Esse é um exercício que nunca é muito fácil. Para mim, a chave está em ter um domínio profundo da estratégia e da oportunidade de mercado. Quando eu entendo bem o cenário geral, é mais fácil tomar decisões informadas sobre onde investir a minha energia: se é o momento de gastar tempo e recursos na inovação ou se a prioridade é lançar algo rápido para entregar valor tangível e sustentar o momento do negócio.
Essa tomada de decisão é um exercício constante de trade-offs, eu acredito que a prática torna isso mais fácil com o tempo [espero]. Agora, quando me vejo em cenários realmente ambíguos ou tenho dúvidas sobre a melhor alocação de esforço, eu recorro a boa e velha matriz de esforço e impacto. Ela não só me ajuda a priorizar o que deve ser construído, mas também é uma ferramenta poderosa para criar influência.
Ao apresentar aos meus stakeholders o meu racional (baixo esforço/alto impacto vs. alto esforço/baixo impacto), fica bem mais fácil alinhar expectativas, justificar as minhas escolhas e tentar que a minha voz estratégica seja ouvida na decisão.
🎙️ A carreira de gestão possui uma trajetória de crescimento muito clara em termos de cargo e escopo. O trabalho de alto nível na carreira de especialista individual (IC track) parece ser menos claro. No que você se vê trabalhando daqui a 5-10 anos?
Sinceramente meu grande sonho seria trabalhar em algo que não envolvesse computador. Mas caso isso não aconteça eu gostaria de focar em faseamento de MVPs [eu adoro a parte de pensar o que podemos tirar mas sem desabar a torre, tipo aquele jogo jenga.
📦 Agora é a sua vez de mentorar: Qual o conselho que você daria para alguém que tem interesse em seguir o caminho que você escolheu?
Se preocupe mais em ser uma pessoa interessada do que uma pessoa interessante. Pergunte, crie relações, não tenha medo de aprender, ensine quem precisar. Seja uma pessoa legal para se trabalhar, busque soluções mesmo quando TUDO só mostrar o problema, e lembre que mesmo no caos toda situação deveria ter o meio termo.
⚒️ Recursos:Indique artigos, livros, vídeos ou podcasts que você acha que vale muito a pena?
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Espero que você tenha gostado dessa entrevista.
Abraços!
Kakau




