Linei Marani, Design Manager @ Sanar
🎙️ PackLead, Ed. 39 @ 2026
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Linei Marani
Design Manager
A entrevista dessa semana é com ninguém mais, ninguém menos, do que minha amiga e grande design manager da Sanar, Linei Marani. Com mais de sete anos liderando equipes e passagens por iFood, PicPay e Creditas, Linei construiu sua trajetória em ambientes de alta complexidade e escalabilidade, desde logística até produtos financeiros.
O que marca a liderança da Linei? Honestidade. Na nossa conversa, ela fala sobre a coragem de assumir liderança sem se sentir 100% pronta, por que proteger demais o time pode atrapalhar seu amadurecimento, e como disponibilidade sem critério gera dependência.
Essa entrevista está muito inspiradora e tenho certeza que vai te fazer pensar. Linei é uma daquelas pessoas que vale muito a pena conhecer.
🧪 Principais insights
💪 Coragem importa muito
Liderança não é sobre estar pronto, mas sobre ter disposição para aprender.
🔄 Disponibilidade sem critério gera dependência
Saber quando sair é tão importante quanto saber quando entrar.
❤️ Gente não se reduz a recurso
O profissional e o humano não são coisas separadas.
Agora com vocês, a entrevista completa de Linei Marani! ✨
🎙️ O que te fez perceber que estava pronto para assumir a liderança de pessoas, mesmo sem ter todas as respostas?
Na real, eu não achava que estava pronta. Acho que a virada não foi “estou pronta”, foi mais “eu tenho coragem de assumir isso mesmo sem me sentir 100% pronta”.
E teve um entendimento importante aí…liderança não era sobre ter todas as respostas, mas sobre sustentar responsabilidade, contexto e direção, mesmo em meio à dúvida. Eu já fazia algumas coisas que um líder precisa fazer como conectar pontos, ajudar a destravar problemas, me importava com o crescimento das pessoas, mas ainda sem nomear isso como liderança.
Então, mais do que certeza, eu tinha disposição, sabe? Coragem para aprender, para errar em público, ajustar rota e crescer junto com o time.
🎙️ Conte uma decisão que você tomou como líder e só depois percebeu que teve efeitos colaterais que você não antecipava?
Acho que uma das primeiras armadilhas foi querer proteger demais o time. No início, eu tinha uma tendência a absorver muita tensão sozinha para não sobrecarregar as pessoas. Na minha cabeça, eu estava sendo uma boa líder.
Com o tempo, percebi o efeito colateral, que às vezes eu tirava do time a chance de entender o contexto real, de amadurecer junto e até de desenvolver mais senso crítico sobre o negócio. Hoje eu continuo filtrando o que faz sentido, claro, mas tento dar mais visibilidade sobre os problemas reais.
Esses dias, numa daquelas autoanálises que muitas de nós, mulheres, fazemos quase em excesso, me veio uma frase: time maduro não nasce em ambiente esterilizado.
🎙️ E o que mais mudou na sua forma de pensar quando você passou a liderar pessoas?
A principal mudança foi sair de uma lógica muito centrada em “qual é a melhor entrega?” para uma lógica mais ampla de “qual ambiente eu preciso construir para que boas entregas aconteçam com consistência?”.
Mas teve uma mudança ainda mais profunda…eu passei a olhar muito mais para as pessoas por trás do trabalho. Com mais carinho, mais atenção e mais verdade. Ao longo da minha trajetória, passei por muitos contextos e lideranças diferentes, e isso me ensinou uma coisa importante: gente não se reduz a recurso. As pessoas têm vida, inseguranças, potências, dias bons e dias péssimos, e nada disso fica do lado de fora quando elas entram para trabalhar.
Liderar me fez entender que o profissional e o humano não são coisas tão separadas quanto muita empresa gosta de fingir que são. E acho que parte da líder que eu sou hoje também foi construída a partir de muitos exemplos do que eu não queria reproduzir. Isso foi me deixando mais atenta ao tipo de espaço que eu quero construir, que é um espaço com escuta, parceria, vulnerabilidade e confiança, sem perder clareza, responsabilidade e senso crítico.
Hoje, para mim, liderança tem menos a ver com controlar pessoas e mais com criar condições para que elas consigam fazer um bom trabalho sem precisar deixar partes importantes de si pelo caminho.
🎙️ Que abordagem de liderança você tentou no início e, com o tempo, percebeu que não funcionava tão bem quanto imaginava?
No começo, eu confundia muita disponibilidade com boa liderança. Achava que estar sempre perto, sempre pronta para entrar e ajudar, era necessariamente algo positivo. Com o tempo, fui entendendo que não é isso por si só e, em alguns casos, até atrapalha.
Proximidade é importante, mas disponibilidade sem critério pode gerar dependência. Teve momentos em que eu entrava cedo demais para resolver, opinar ou organizar coisas que o próprio time precisava elaborar.
Hoje, tento sustentar melhor esse equilíbrio entre apoio e autonomia. Precisamos saber quando entrar e, principalmente, quando sair.
🎙️ Qual hábito simples de liderança você adotou que melhorou o funcionamento do seu time no dia a dia?
Acho que foi construir conexão real com as pessoas no dia a dia. Estar perto, escutar de verdade, criar um ambiente em que o time se sinta à vontade para ser honesto, trazer dificuldade, discordar, pedir ajuda. Isso muda muito o funcionamento das coisas.
E, junto com isso, tem uma prática que eu repito bastante que é antes de sair falando de solução, tentar nomear com clareza qual é o problema que a gente está tentando resolver. Parece simples, mas melhora muito a conversa, a priorização e a qualidade do trabalho.
Confiança e clareza parecem duas coisas muito básicas, mas que mudam bastante o dia a dia do time.
🎙️ O que você faz hoje para influenciar decisões além do seu time direto?
Hoje tento influenciar menos pela opinião isolada e mais pela combinação de contexto, clareza e evidência.
No meu dia a dia, isso significa traduzir melhor o ponto de vista do design para a linguagem do negócio, conectar o que estamos vendo com impacto real e não esperar só os fóruns formais para influenciar. Às vezes é uma conversa de alinhamento, às vezes é uma síntese bem feita, às vezes é uma pergunta incômoda colocada na hora certa.
Também tento me aprofundar de verdade em cada produto, quase como se eu passasse uma temporada mais perto de cada um deles. Estar no dia a dia, entender as dores, as nuances, as limitações e o contexto real me dá muito repertório. E repertório, para mim, é uma das bases da influência, porque ajuda a trazer contribuições mais consistentes, menos genéricas e mais conectadas com a realidade.
No fim, influência, para mim, tem muito menos a ver com cargo e muito mais com consistência, proximidade e credibilidade.
🎙️ E que aprendizado você gostaria de ter tido mais cedo na transição de IC para gestor?
Que liderar pessoas não é virar “a pessoa que resolve tudo” e nem abandonar sua identidade profissional anterior da noite para o dia.
Eu demorei um pouco para entender que a transição de IC para gestão pede um certo luto mesmo, sabe? Você deixa de ser medida só pela sua execução direta e precisa construir uma nova forma de gerar valor. E essa nova forma nem sempre está em resolver tudo com as próprias mãos, mas em abrir caminhos para que as coisas sejam resolvidas.
Ter entendido antes que isso é um processo teria me ajudado a sofrer bem menos e a calibrar melhor minhas expectativas.
🎙️ Qual decisão como líder teve o maior impacto positivo na maturidade do seu time?
Foi não deixar design preso só na execução.
Eu comecei a puxar o time para mais perto do contexto estratégico, expondo mais as pessoas às discussões de problema, negócio, trade-offs e impacto, e não apenas às demandas já recortadas. Gosto de dar bastante espaço para o time agir com autonomia, porque acredito que maturidade também se constrói quando a pessoa pensa, se posiciona e assume responsabilidade pelas decisões que toma.
Isso mudou bastante a forma como o time se posiciona. Quando a pessoa entende o porquê, ela não só executa melhor, ela ganha repertório para questionar, argumentar, priorizar e tomar decisões com mais autonomia. Pra mim, maturidade tem muito a ver com sair de um lugar de dependência e crescer como parceira real de decisão.
Ao mesmo tempo, essa construção nunca foi só sobre cobrança ou resultado. Também acredito muito em criar um ambiente em que as pessoas se sintam seguras para pensar, discordar, se expor e amadurecer. Acho que é essa combinação entre contexto, confiança e responsabilidade que realmente faz um time evoluir.
🎙️ O que você percebe com mais frequência em gestores iniciantes que estão evoluindo bem?
Gestor iniciante que evolui bem, pra mim, claramente não é o que tenta parecer pronto o tempo todo. É o que observa, reflete, pede ajuda quando precisa, sustenta conversas honestas e vai ganhando repertório sem precisar fingir uma segurança que ainda não construiu.
Também olho muito para a capacidade de cuidar das pessoas sem abrir mão do senso crítico sobre o trabalho. Quando esse equilíbrio aparece cedo, tem boas chances de dar certo!
🎙️ E que sinais indicam que alguém pode estar pronto para dar o passo para a liderança de pessoas na sua visão?
Quando alguém deixa de olhar apenas para a própria entrega e começa a se responsabilizar pelo todo, isso diz bastante. É a pessoa que ajuda a organizar o que está bagunçado, dá contexto, faz boas perguntas, percebe impactos além da própria tarefa e demonstra responsabilidade pelo coletivo.
Outro ponto é a capacidade de lidar com ambiguidade. Liderança raramente acontece em cenários totalmente claros e muitas vezes faltam informações, consenso e certeza. Por isso, observo se a pessoa consegue seguir fazendo boas perguntas, tomar decisões com responsabilidade e dar direção para os outros mesmo quando o contexto ainda está em construção.
⚒️ Para fechar: compartilhe recursos (livros, artigos, podcasts) e/ou ideias que moldaram sua forma de pensar liderança.
The Making of a Manager, da Julie Zhuo
Me marcou muito por trazer uma visão de liderança mais honesta, menos idealizada e mais conectada ao processo real de aprender a liderar. Foi uma referência importante para pensar que boa liderança não nasce pronta: ela vai sendo construída com repertório, autocrítica e ajuste de rota.
Líderes se Servem por Último, do Simon Sinek
Também me impactou por reforçar a ideia de que liderança tem menos a ver com autoridade e mais com responsabilidade real sobre as pessoas e sobre o ambiente que se cria para elas.
Também me atravessam bastante as reflexões sobre segurança psicológica, escuta e vulnerabilidade. Isso porque fui entendendo que times amadurecem melhor quando existe um ambiente em que as pessoas conseguem fazer perguntas, admitir dúvidas, discordar, apontar riscos e aprender sem viver em estado de defesa.
The Fearless Organization, da Amy Edmondson
(assim como a linha de pensamento da autora)
O ponto central deste livro não é “ser gentil”, mas construir um clima que favoreça aprendizado, inovação e melhoria contínua. A tese é que, em contextos complexos, criemos condições para que a franqueza, aprendizado e responsabilidade coexistam. É uma visão de liderança que combina escuta, clareza e coragem para lidar com a verdade do trabalho sem transformar tudo em ameaça pessoal, por exemplo.
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Trabalhar com a Linei foi um marco na minha carreira. Tenho certeza de que vai ser pro resto da minha vida um momento de referência o tempo que fui liderado por ela. Pela admiração, inspiração e pela esperança de que o design pode sim ter significados além da superficialidade rotineira do "fazer" e do "mostrar". Obrigado pela entrevista!