Thomas Mansūr, Diretor de Produto e Design @ Birdie AI
🎙️ PackLead, Ed. 38 @ 2026
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Thomas Mansūr
Diretor de Produto e Design
A parte boa da PackLead existir é me conectar com pessoas incríveis como o Thomas Mansūr, o nosso entrevistado dessa semana. Thomas é diretor de produto e design da Birdie AI.
Com passagens por startups e corporate ventures no Brasil e nos Estados Unidos, ele acumula experiências em liderança de design e produto principalmente em projetos de AI. E o que une toda essa trajetória? Comunicação.
Para Thomas, a habilidade de simplificar o complexo e construir pontes entre áreas é o que define um líder eficaz. Na nossa conversa, ele fala sobre os perigos da falta de foco, por que evitar conversas difíceis só piora os problemas, e como se tornar um "poliglota de linguagens técnicas" para influenciar além do próprio time.
Essa entrevista está mais que especial e eu tenho certeza que vai valer a leitura.
🧪 Principais insights
📢 Comunicação é ponte entre abismos
Quanto melhor você estrutura e simplifica ideias, menores são os desalinhamentos.
⛑️ Evitar conversas difíceis só piora a situação
Fugir do conflito gera ressentimentos e bloqueia evolução.
👥 Exponha seu time a conversas estratégicas
Incluir o time em planejamentos estratégicos acelera maturidade e autonomia.
Agora com vocês, a entrevista completa de Thomas Mansūr! ✨
🎙️ O que te fez perceber que estava pronto para assumir a liderança de pessoas, mesmo sem ter todas as respostas?
A minha personalidade sempre fez com que eu naturalmente gravitasse para papéis de liderança. Vou falar mais sobre isso ao longo dessa entrevista, mas acredito que a habilidade de comunicação foi o pilar que mais contribuiu para isso acontecer, muito antes de estar preparado e entender o que isso significava.
Entendo que apenas a comunicação não deva justificar ninguém adotar um papel enquanto líder, mas olhando para trás vejo que ser mais carismático, saber fazer perguntas e ouvir as pessoas com atenção me levou naturalmente a liderar pessoas, antes mesmo de ingressar na faculdade e antes de entrar no mercado de tecnologia.
Com o acúmulo de experiências passei a me sentir mais confortável nesse papel, inclusive sabendo que a gente nunca tem todas as respostas e vai sempre sentir um frio na barriga.
🎙️ Qual foi a primeira decisão que você tomou como líder e só depois percebeu que teve efeitos colaterais que você não antecipava?
Aos 22 eu fundei um pequeno estúdio de design chamado Dinius e essa foi a minha primeira posição de liderança atuando no mercado de design. A primeira decisão que tomei foi a de oferecermos uma gama ENORME de ofertas: branding, web design, software… chegamos a coordenar ensaios fotográficos e fazer sinalização rsrs
Vejo que enquanto líder, falhei na minha principal tarefa: manter o time alinhado, investindo esforços no que realmente gerava impacto. Por culpa minha, durante anos, pulverizamos os nossos esforços em múltiplas direções, e o efeito colateral foi uma equipe exausta, resultados financeiros sub-ótimos e falta de clareza generalizada.
Por ser o começo da minha carreira isso acabou sendo importante para absorver múltiplas experiências, mas olhando para trás vejo como o foco é essencial para exercer uma liderança eficaz e sustentável. No mundo em que vivemos, repleto de distrações, estímulos, inseguranças e ansiedades, a proteção e cultivo do foco é a atividade principal do líder.
🎙️ E o que mais mudou na sua forma de pensar quando você passou a liderar pessoas?
Como eu mencionei na primeira pergunta, comunicação é tudo e está em tudo.
Isso significa que o mal entendido, a confusão e o desalinhamento também estão em toda parte. E o desalinhamento custa caro, muito caro. Mentalmente, emocionalmente, financeiramente…
Tem uma frase atribuída ao Alejandro Jodorowsky, diretor de cinema, que gosto muito:
“Entre o que eu penso, o que quero dizer, o que digo e o que você ouve, o que você quer ouvir e o que você acha que entendeu, há um abismo.”
Enquanto líder você vai enfrentar uma série de abismos. Quanto maior a clareza da sua comunicação, menores serão os abismos. Quanto menores os abismos entre pessoas e ideias, maior será o seu impacto e mais rápida será a ascensão da sua influência, reputação e autoridade.
Desde que embarquei na minha jornada enquanto líder acredito que simplificar, estruturar e alinhar o pensamento das pessoas através da comunicação é uma das habilidades (e responsabilidades) mais nobres que alguém pode exercitar.
A comunicação é a ponte entre os abismos. Quanto melhor líder você for, mais estáveis e maiores serão essas pontes, permitindo passar mais informações e conceitos.
🎙️ Que abordagem de liderança você tentou no início e, com o tempo, percebeu que não funcionava tão bem quanto imaginava?
Por mais que a gente tente separar a vida pessoal da vida profissional é inevitável que a gente manifeste no trabalho as nossas inseguranças e “questões”.
Por muito tempo a minha “abordagem” era evitar conversas difíceis por medo de gerar conflito e abalar minha relação pessoal com as pessoas que liderava, principalmente porque a grande maioria eram grandes amigos.
Digo isso não porque acreditava que era uma abordagem consciente, mas sim a manifestação disfuncional de alguns comportamentos e crenças que eu ainda lidava na épica: a necessidade de “agradar a todos”, “não criar conflito”, “ter medo de ser abandonado”, etc.
Meu repertório e inteligência emocional ainda estavam se desenvolvendo e com o tempo ficou claro que não era um caminho sustentável. Evitar o conflito só piora a situação, gera ressentimentos e não abre oportunidade de evolução, nem pro indivíduo nem para o projeto.
Nesse sentido, a auto-reflexão, o autoconhecimento e a abertura da mente para se enxergar e enxergar o outro como ele é, é algo que tento desenvolver para me tornar um líder melhor.
É um tema fascinante, tanto pela perspectiva de liderança quanto de design de produtos: os tipos de personalidade, arquétipos, MBTI, Eneagrama, DISC, etc. Conhecer como as pessoas realmente funcionam te tira do idealismo, te ancora na realidade e te dá um senso prático para lidar com as situações do dia-a-dia, inclusive para ter conversas difíceis.
🎙️ Qual hábito simples de liderança você adotou que melhorou o funcionamento do seu time no dia a dia?
Celebrar conquistas periodicamente. Parece óbvio e clichê, mas é comum cair na armadilha do “backlog infinito” e da sensação de “estar sempre devendo”. Em muitas empresas em que trabalhei era comum a cultura da cobrança constante e nenhum momento para olhar para trás e reconhecer o progresso conquistado.
Principalmente nos tempos atuais em que o ritmo de inovação é insano e você vê influencers “de sucesso” utilizando as ferramentas mais atuais, nos cargos mais cobiçados, nas empresas mais “descoladas”. É fácil cair no FOMO, na síndrome do impostor, na auto cobrança e perder o senso de valor próprio.
Por mais que existam metodologias mais modernas de gestão, há vários anos ainda faço questão de conduzir Sprint Reviews quinzenais com todo o time reunido, uma espécie de “mini all-hands” de design, produto e engenharia, de uma maneira que traga leveza, bom humor e um senso de propósito que energizam o time. São 60 ~ 90 minutos que fazem toda a diferença para olhar para o que foi conquistado, fortalecer os laços e seguir em frente.
🎙️ O que você faz hoje para influenciar decisões além do seu time direto?
À medida que você refina a sua capacidade de comunicação você se torna capaz de sintetizar informações cada vez mais complexas. Quando você sintetiza algo complexo, simplifica e comunica para outros times e áreas, você contribui para um alinhamento em nível organizacional.
Um conceito importante para mim é o de se tornar, na medida do possível, um “poliglota”, não de línguas estrangeiras, mas de linguagens técnicas. Quanto mais línguas você aprender a falar, seja a de finanças, de marketing, vendas, engenharia, gestão, e etc, mais você vai conseguir sintetizar e simplificar conceitos de forma que as demais áreas entendam.
Para influenciar decisões além do meu time eu crio materiais (memos, dossiês e análises) que sejam compatíveis com o máximo de áreas ao mesmo tempo. Isso alinha a organização e contribui para a diminuição dos “abismos”, silos e conflitos.
🎙️ E que aprendizado você gostaria de ter tido mais cedo na transição de IC para gestor?
Eu praticamente não atuei enquanto IC, mas acredito que desde sempre eu deveria ter buscado ativamente por mentores mais próximos da minha realidade.
Eu consegui reunir referências que foram muito importantes pra minha carreira, mas eram referências online e que estavam muitos “capítulos” na minha frente: Chris Do (theFutur), Jake Knapp (autor de Design Sprint) e Jonathan Courtney (AJ&Smart), por exemplo, foram fundamentais para a minha carreira.
Anos depois desenvolvi o hábito de procurar profissionais na minha cidade e em ecossistemas de empreendedorismo para me ajudar. Buscar por mentores te ensina muitas lições valiosas: a coragem de abordar desconhecidos, o desconforto de pedir ajuda, a humildade de se colocar como aprendiz, a escuta ativa, a habilidade de fazer boas perguntas…
Mentores que, preferencialmente, estejam apenas alguns capítulos à frente da sua jornada são as melhores pessoas para pedir conselhos e indicar posições que possam te interessar no mercado. Busque mentores, independente se tem ou não a ambição de se tornar líder de pessoas.
🎙️ Qual decisão como líder teve o maior impacto positivo na maturidade do seu time?
Incluir o meu time em planejamentos estratégicos e outros fóruns dessa natureza é um dos fatores que mais contribuiu para impactar positivamente na maturidade dele.
Tudo depende do tipo de cultura que você deseja criar. Se você, assim como eu, acredita na autonomia de pensamento, sinceridade e transparência radical, você precisa expor o seu time aos stakeholders e conversas mais estratégicas, sempre que possível.
É muito comum a “infantilização” de pessoas que estão “abaixo” das camadas de liderança.
Seja protegendo elas de “realidades duras”, “conversas difíceis” ou apenas inferindo que elas jamais estariam preparadas para essas circunstâncias. O problema é que isso se torna uma profecia auto-realizada. Como elas estarão preparadas se nunca damos a oportunidade para elas participarem? Todos saem perdendo nessa equação.
Sempre que possível, exponha seu time às conversas mais elevadas da empresa.
🎙️ O que você percebe com mais frequência em gestores iniciantes que estão evoluindo bem?
Evoluir = aprender + adaptar. Aprender é uma função da qualidade das perguntas que você faz e quão aberto está para receber feedbacks, adaptar é sobre a sua habilidade de mudar o seu comportamento constantemente. Gestores (não só no início de carreira) precisam demonstrar essa ambidestria.
Aqui, a direção é mais importante do que velocidade. Se você não aprende ou aprende errado ou se você não muda seu comportamento ou adota o comportamento errado, nenhuma velocidade no mundo irá contribuir para o seu crescimento.
Certifique-se de que você está consolidando os aprendizados corretos e destilando em comportamentos que irão de fato aumentar as suas chances de sucesso. Aumentar a qualidade e a frequência dos seus aprendizados e da sua adaptação é o que vai ditar a qualidade da sua evolução. Todo o resto é distração.
🎙️ E que sinais indicam que alguém pode estar pronto para dar o passo para a liderança de pessoas na sua visão?
Existem inúmeros estilos, escolas e metodologias de liderança. Um fator em comum entre todos eles inclui influenciar as pessoas ao seu redor, o que é resultado de autoridade e reputação.
Mesmo sem a autoridade formal, é possível cultivar sua reputação e exercer “liderança informal” ou “liderança indireta” de pessoas, e esse lugar geralmente é conquistado através de um mix de proatividade, colaboração, comunicação e expertise técnica.
Autoridade por outro lado já é um tópico mais delicado e você enquanto líder pode fazer pequenos experimentos “transferindo autoridade” temporariamente em determinadas situações para ver como as pessoas se comportam. É o mesmo princípio da “prototipagem” de produtos aplicada a cenários de liderança.
Nesse aspecto, os sinais que você está procurando são mais voltados para a inteligência emocional e habilidades práticas: consegue agir sob pressão? Distribuir tarefas efetivamente de acordo com as habilidades de cada um? Consegue coordenar um projeto mantendo a integridade de escopo? Consegue atender prazos?
Nesse sentido as coisas podem começar dos aspectos simples da liderança: consegue conduzir reuniões de maneira estruturada e eficaz? Consegue articular com clareza o papel de cada um? Consegue comunicar o objetivo do projeto?
Todos esses são sinais promissores de alguém que tem potencial para liderar.
⚒️ Para fechar: compartilhe recursos (livros, artigos, podcasts) e/ou ideias que moldaram sua forma de pensar liderança.
Para se tornar poliglota, escute o podcast 20VC, do Harry Stebbings.
Para pensar produto e liderança, leia The Messy Middle, do Scott Belsky.
Para pensar na vida, leia Princípios, do Ray Dalio.
➡️ Encontre o Thomas Mansūr no LinkedIn
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